Arquivo para ‘Tumulto’
Publicado em 12 de novembro de 2011. Comente

[Foto: Rodrigo Torres, no CineOcupaRio]

Na quinta-feira, 10 de novembro, o governo do Rio de Janeiro organizou uma missa civil. Concedeu ponto facultativo, espalhou faixas por toda a cidade, esbanjou publicidade no rádio e televisão, providenciou ônibus, fechou 26 ruas e a praça da Cinelândia. Apesar de custeada pelo dinheiro público, havia uma área VIP para convidados especiais. Seu objetivo: “protestar” para que os royalties do petróleo se mantivessem sob a gestão deles mesmos, os governos do Rio. Mobilizaram a população a favor de si mesmos. Chamar de protesto um evento oficial autolaudatório com a participação da Xuxa só pode ser piada.

Mas se deparou com uma outra praça. A arte a o amor estavam na praça. A Cinelândia não era mais a mesma. A OcupaRio conseguiu organizar o verdadeiro protesto e tumultuou o showmício. Os papagaios artísticos não puderam se apresentar e as autoridades não conseguiram discursar. A acampada da Cinelândia tomou a palavra, quebrou o bom tom e roubou a cena no tumulto da democracia real. No dia seguinte, a previsível desinformação pelos veículos da grande imprensa.

Nada mal para um movimento “apolítico”, “vago” e “alienado”. Os casmurros da velha esquerda queimaram a língua.

Royalties pra quem? Por que não constituir um Fundo Popular para receber os imensos lucros do petróleo? Um Fundo Popular administrado diretamente pelas pessoas, usando mecanismos da internet como o Demoex? O petróleo, afinal, é de todos. Em vez de alimentar a gulosa máquina representativa (eleições, corrupção, megaeventos, indústria cultural, grande imprensa), construir uma gestão democrática, em rede, uma gestão do comum. Para organizar os investimentos e contemplar quem precisa ser contemplado. Investir diretamente em educação, saúde, transporte e renda para todos. É preciso arrancar esse recurso vultoso da mão de parasitas e predadores, que investem mal e dilapidam a riqueza: governos municipais, governo estadual do RJ o setor de investimentos sociais/culturais da Petrobrás (esfera federal).

Muito mais que protestar contra a corrupção, a violência e a injustiça, as ocupações pelo mundo vão à raiz dos problemas e protestam contra a política representativa que produz sistematicamente a corrupção, a desigualdade e a violência. ‎A política representativa que passa pelas eleições, pelos partidos, pelo choque de ordem, pela polícia. Mas também pela grande imprensa e seu jornalismo, que faz de tudo para nos representar através da ficção da opinião pública.

Frente à representação, só resta mesmo lutar por outra forma de organizar a produção e a riqueza, uma outra constituição material das relações sociais, da política e da mídia, como tem feito com alegria e criatividade a rede articulada de ocupações e protestos pelo mundo.

Publicado em 19 de julho de 2011. Comente

Os governos cuja sorte depende da sabedoria de um só homem têm curta duração, porque sua virtude se extingue com a vida do príncipe, raramente seu vigor se restabelece com o sucessor.” – Maquiavel

Junto com correlação de forças, é uma das expressões mais banalizadas. Se a primeira tem sido usada para desculpar qualquer tomada de posição dos governos, a segunda incorre no erro simétrico. Não abriu os arquivos da ditadura? Falta de vontade política. Não realizou a reforma agrária? Falta de vontade política. Um Brasil Banda Larga foi neutralizado? Falta de vontade política. Fome na África? Falta de vontade política. E assim sucessivamente, à náusea, a vontade política como o principal problema.

Como se a ação política estivesse posta em função do arbítrio do titular do poder. Como se a decisão surgisse do nada, do firmamento das boas intenções diretamente à cidade dos homens, mediada pela consciência do governante, a única variável. Como fosse possível aplicar o dever-ser ao ser, realizando um possível idealizado. Como se a ação política, para ser eficaz, não estivesse vinculada a uma cadeia de causas e efeitos, numa determinada realidade histórica, numa matriz complexa de vontades, forças e estratégias. Basta o grupo no poder querer e zás, já é. Para quem reduz, como a grande imprensa, a vontade política a essa platitude mistificadora, não se equivoca quem lhe sugere a correlação de forças como instrumento analítico.

O governante não tem vontade política. Para chegar ao poder, é obrigado a partilhar lençóis com todo o bloco histórico que o antecede e o condiciona, de mil maneiras abertas ou veladas. Uma vez no poder, se vê na contingência de negociar o tempo todo, para conservá-lo. A tratar com um espectro ideológico muito mais vasto do que o professado, inclusive na campanha eleitoral. Porque manter-se no poder implica recear e desbaratar conspirações e, por conseqüência, ser forçado a preocupar-se, sobretudo, consigo próprio, e a enganar a multidão mais do que a salvaguardar. Não há espaço para voluntarismo.

Quem confia a sua liberdade à vontade política dos governantes está prestes a perdê-la. Esperar vontade política já constitui erro de princípio. Não adianta votar no candidato ou partido X ou Y, se, no dia seguinte da posse, sentarmos no sofá achando que agora está resolvido. O cidadão que crê que só é cidadão na hora do voto vai decepcionar-se sempre. O transcorrer do mandato de seu candidato e partido não passará de uma inexorável desilusão, em relação a promessas e expectativas de campanha, e mesmo a uma acreditada consciência política. Esse desencanto acabará por incentivar a desmobilização e a paralisia teórico-prática e, por vezes, o refúgio amargurado dos “idealistas” na academia e seus rituais vazios.

Tem gente que realmente acredita que ao cidadão de bem basta acordar pra trabalhar todos os dias, cuidar da família, respeitar a lei, ficar na sua e votar uma vez a cada dois anos. Não e não. O voto, na realidade, é um momento qualificado de uma atuação cotidiana que, no acúmulo e sinergia de todos, constitui a democracia. Daí a relevância das marchas de 2011 no Brasil, em si mesmas, como centelhas de uma outra percepção do que seja política. Talvez a recessão mundial de 2008-09, mais esse imenso fracasso do capitalismo, tenha, finalmente, despertado muita gente. Que, se não agirmos por conta própria, além de governos e partidos, não pode haver democracia real. Afinal, ainda segundo Maquiavel, “o povo é mais prudente, menos volúvel e, num certo sentido, mais judicioso que o príncipe.”

Nenhum mandato é o ano zero da história. Na democracia representativa, não tem jeito. Todo mandato majoritário acaba viciado, atravessado por ambiguidades e conflitos, contradições e limitações. A questão reside em como o grupo no poder se apropria dessa situação pastosa e multicolorida e, a partir dela, consegue conferir um sentido libertador. Um sentido que é, antes de qualquer outra coisa, a subversão da própria matriz institucional conservadora em que se inscreveu quando fora eleito e decidiu jogar o jogo. Isso é possível? O debate revolução x reforma incide aqui. Até que ponto é possível, com políticas governamentais, por dentro do poder, por dentro do regime capitalista, é possível desativar instituições tão conservadoras e reacionárias?

Para Slavoj Zizek, “se você não tem idéia sobre o que colocar no lugar do estado, não tem o direito de subtrair-se e retirar-se do estado: a verdadeira tarefa consiste em como fazer o estado funcionar de um modo não-estatal.” Não se trata, portanto, de tomar distância do estado e apenas fortalecer o movimento, ou abraçar o estado como a via principal da mudança, seja chegando a ele pelas eleições ou outras vias. A proposta do filósofo esloveno é radicalmente transformá-lo por dentro e por fora, “mudando a sua relação com a base”.

Por isso, mais que rupturas utópicas a partir da vontade política, primeiro há todo um trabalho de construção democrática, de empoderamento da base, de quem realmente é mais judicioso e menos volúvel e, por conseguinte, pode sustentar mudanças duradouras e profundas. Nesse sentido, políticas que disseminem condições concretas de exercício da cidadania, como: renda universal, mídia multitudinária, inclusão racial, fortalecimento de uma cultura de resistência, difusa e articulada em rede, entre outras.

Em vez de vontade política, é preciso buscar a força política. O príncipe só governa contra uma ordem social conservadora quando reúne forças para tal, de modo contínuo. Esse força não vem somente das eleições, seja qual for a quantidade de votos. Tampouco de pesquisas de popularidade, na medida em que, ante uma imprensa antidemocrática, a opinião pública muitas vezes está contra o povo. E sim de uma permanente mobilização das forças vivas sociais, de revolta e indignação, a partir dos cidadãos e seus movimentos e marchas e mídias livres, que determinem e mesmo imponham as políticas de (seu próprio) empoderamento.

Neste contexto, mesmo votando em certo candidato e certo partido, como opção entusiasmada ou recalcitrante, nada mais coerente do que, uma vez governo, fazer-lhe críticas, ainda que severas, e construir por fora dele e mesmo contra ele, em tudo aquilo que ele não demonstrar força política. E exatamente para forçar-lhe a agir no sentido libertador, contra todas as injunções e ameaças, contra todo o lastro histórico de exclusão e desigualdade. Aí consiste, quem sabe, a verdadeira virtude política do governante: saber utilizar-se e mesmo concitar essa força social, navegando nas ambiguidades, atuando nessa brecha fugidia entre a vontade política e a correlação de forças.

Para pegar ainda outro tópico do pensador florentino, somente o tumulto da multidão, a imanência conflitiva da democracia real, esse drama de revoltas e indignações, somente aí pode haver vontades radicalmente políticas e transformadoras, somente aí se explicam o atrevimento desmedido de uma Antígona, a determinação férrea de um Lênin, a crença inabalável de um São Paulo.

Publicado em 12 de fevereiro de 2011. Comente

Cairo, 28 de janeiro de 2011.

A multidão apanha, apanha, apanha, mas chega uma hora em que aprende coisas novas, incorpora as táticas da polícia e retribui com mais inteligência (coletiva). Isso sem comando ou hierarquia, tudo na imanência do enxame, na circulação retroalimentada de saberes, no tatear doloroso em busca de pontos fracos e brechas. Os rebeldes conquistam um “caveirão” e usam-no contra a polícia. Reparem como marcham cobertos pelo veículo. Logo atrás, deslizam rolo esmagador, uma tática usada por Spartacus contra as legiões romanas, em 72 a.C., durante a Terceira Guerra dos Escravos (os rolos eram oleados e incendiados). Também se notam táticas de desobediência civil dos anos 1960, que tem alguma eficácia contra armas não-letais. O ímpeto dos revoltados nitidamente superior ao dos policiais, que acabam cedendo a posição.

Amanhã, reflexões e apontamentos do blogue sobre a revolução árabe de 2011.

Publicado em 23 de dezembro de 2010. Comente

 Roma, 14.12.2010, reminiscências da Revolta de Spartacus

Os europeus vivem um dezembro quente. De Atenas a Roma, de Londres a Paris, as ruas e praças foram inundadas de cartazes, faixas, máscaras, gritos de guerra e canções de amor. Houve greve geral na Grécia, — a oitava do ano, — com centenas de milhares revoltados queimando pneus, levantando barricadas, desafiando a polícia. Na Itália, o dia 14 de dezembro foi o mais tumultuado desde as marchas globais anti-OMC do final dos anos 1990. O movimento se alastrou por muitas cidades, — Veneza, Pádua, Trevisso, Trento, Palermo, Napoli, Cosenza, Pisa, Ancona etc — sempre com milhares de pessoas.

Está claro que a mobilização não é casual. Um novo ciclo de lutas irrompeu de anos de relativo silêncio e resignação, cujo ímpeto não vai amainar enquanto não houver mudança. Veio pra ficar. Muitos europeus estão fartos de imobilidade e segregação sociais, da xenofobia generalizada e do endividamento decorrente da “socialização” das últimas crises financeiras. O movimento engloba universitários, professores, temporários, informais, midialivristas, desocupados, mochileiros, ativistas mambembes, secundaristas, blogueiros etc. 

Em síntese, são precários, isto é, cidadãos que, embora essenciais para a produtividade do capitalismo pós-industrial, não são reconhecidos ou remunerados. Eles não pretendem trabalhar sem alegria num mundo caduco e, por isso, querem ser reconhecidos enquanto precários, e não simplesmente fagocitados em empregos convencionais, com subordinação e expediente. A luta dos precários, os genuínos revolucionários do século 21, não se dirige propriamente pelo emprego formal, mas à renda e à liberdade. Não espera nada do estado, senão lhe afirmar um modo produtivo de viver. Deseja e não espera. Afinal, como dizia o cineasta Mário Monicelli (1915-2010), la speranza è una trappola inventata dai padroni (a esperança é uma ratoeira inventada pelos patrões).

 Roma, 14 de dezembro de 2010

A Itália passa por um dos momentos mais cinzentos de sua história moderna. O barão midiático e primeiro-ministro Silvio Berlusconi encabeça uma direita elitista, racista, violenta e filistéia. Não perde pra nenhuma oligarquia terceiromundista, em matéria de brutalidade e golpismo. Em Roma, o estopim do dezembro quente se deu quando os partidos de esquerda e sindicatos não foram capazes (ou não tiveram o interesse) de contestar essa República de Saló, digna do filme de Pasolini. Sai a esquerda débil partidarizada, entra a multidão. Sai o “espaço público” da representação, entra o amor comum de ruas e praças, das conversas de militância, da mobilização e do tumulto.
 Militantes italianos literatos

Enquanto isso, lá e aqui, a grande imprensa se limita a noticiar a “bagunça”. Lá como cá, a maior parte dos veículos de comunicação é unha-e-carne com o poder constituído. O fenômeno Berlusconi é o caso modelo, numa Itália onde estado, governo e grande imprensa se indistinguem. Os revoltados não passam de baderneiros e vagabundos, ou então oportunistas, ou então jovens ingênuos — bons meninos mas tão iludidos — que ainda acreditam em revolução e saem às ruas — quando deveriam é estar nas salas de aula, em silêncio, como eu fazia. Em todos os casos querendo aparecer, atrapalhando o cidadão honesto que só quer chegar em casa depois de um dia de trabalho dignificante. 
 Ocupação universitária em Londres, 15 de dezembro
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Conheço, basicamente, duas formas conservadoras de interpretar o tumulto e uma revolucionária.

Por tumulto, me refiro a movimentos espontâneos da multidão. Aliás, para chegar a tumulto, só pode ser uma explosão que se faz por si mesma. Quem participou do movimento estudantil sabe das dificuldades para mobilizar a galera. Pelos mecanismos de grêmios, centros acadêmicos e diretórios, dá pra reunir algumas dezenas. Quando muito, centenas de manifestantes. Tumulto mesmo, com milhares ou centenas de milhares, uma mobilização que assusta de verdade o poder, dificilmente pode ser incitado por alguma vanguarda profissional à moda leninista. Em geral, os grupos políticos organizados até aparecem, num segundo momento, para tentar organizar o movimento. E aí não tem jeito, prepare-se para entrar, de um lado ou do outro, naquelas polêmicas da revolução traída, do aparelhamento, da manipulação.

 Protesto fluvial em Veneza, 22 de dezembro

A mais conservadora posição sobre o tumulto, de direita, é a legalista. É preciso sobretudo respeitar o império da lei, feita para todos. Do contrário, imergiremos no caos. E quem garantirá a nossa segurança? e a de nossos filhos?! Então a polícia deve assegurar a legalidade ameaçada, fazendo o que for preciso para restabelecê-la. Por sinal, é esse o seu papel: reprimir a desordem pública. Se alguém está revoltado, ora, acione o seu deputado, procure a sua liderança comunitária, participe de sua entidade de classe. Vá à luta pelos canais institucionais, pela representação. Tente mudar a lei, oras! não vivemos numa democracia?
Outra posição conservadora, de centro, é a republicana. A insurreição só se legitima contra a lei injusta, contra o tirano. O cidadão tem o direito de resistir ao estado somente quando oprimido em suas garantias fundamentais. Fora disso, a constituição e suas cláusulas pétreas devem ser respeitadas. Mais que isso, é excesso e deve ser reprimido, para garantir o estado democrático de direito, a segurança jurídica, a confiança nas instituições estatais.
 Greve geral na Grécia, 12 de dezembro

No primeiro caso, toda revolta é criminalizada. Trata-se de uma anomalia inadmissível. No segundo, a medida da revolta é imposta de fora, ou seja, o poder constituído define-lhe os limites na medida de seus interesses, mantendo-na sob controle.
Existe, contudo, uma terceira posição, nada conservadora, que é a posição de Nicolau Maquiavel (1469-1527). Grande defensor da liberdade e da democracia, desde o século 16 o florentino vem sendo difamado de maneira sistemática. Sua obra profundamente materialista deturpada por especialistas em moral e humanistas beatos. Essa distorção ideológica, que ficou conhecida por maquiavelismo, visa a encobrir o teor libertário e subversivo de livros como O Príncipe e Discursos sobre a primeira década de Tito Lívio (meu preferido, que se harmoniza, sim, com o primeiro).
 Protesto na Espanha, 14 de dezembro, “Que se vayan todos” e “Allende!”
A posição maquiavélica aponta no tumulto uma potência criativa. Para ele, não existe democracia, o regime da imanência conflitiva, sem as insurgências. Toda lei voltada ao bem comum nasce do tumulto e dele extrai a sua “verdade e boa ordem”. Tem-se uma inversão. Não é mais a lei que dá a medida ao tumulto, mas este àquela. Daí a importância de a revolta buscar a sua própria medida, e o tumulto a sua prudência. Numa democracia viva, o poder constituinte não se exaure no ato fundador da república — o que seria reedição do mito da origem —, e permanece atuante por meio dos tumultos. No fim das contas, a multidão é mais sábia do que o príncipe, conhece a verdade de seus direitos e, cúpida, não cansará de afirmá-los na luta democrática.
Maquiavel formula, pela primeira vez, o poder constituinte. Rompe com a tradição de Aristóteles, Cícero ou Políbio. Assim, contesta tanto os legalistas, que não passam de defensores dos privilégios inculcados na lei; quanto os republicanos, que conferem primazia ao poder constituído, em detrimento da invenção de novos direitos e estatutos de vida. 
Nas manifestações do dezembro quente, as distinções acima ficam cristalinas. A direita dirigente e sua grande imprensa assumiram, como de praxe, a posição legalista. A esquerda tradicional débil, representada pelos partidos e sindicatos, refugiou-se na posição republicana, daí não compreender nem expressar as lutas em curso.
A mobilização de precários, finalmente, adere à conpceção maquiavélica de repubblica tumultuaria. Porque afirmam um novo modo de vida, anseiam por constituir um novo estatuto do trabalho pós-industrial, desejam novos direitos para existir como precários, — e não serem capturados como formigas empregadas do sistema. Essa esquerda nas ruas européias só pode mesmo significar uma desmedida, um tumulto selvagemente revolucionário, incompreensível e tremendamente ameaçador diante do jogo de comadres entre direita e esquerda partidárias.

 Livraço em que Maquiavel fala de tumultos, multidão, liberdade, democracia e revolução
MAQUIAVEL, Nicolau, 1527, 523 pág. na edição da Martins, 2007