::: Um condenado à morte que escapou, Robert Bresson, 1956, França, p&b, 99 min., 35mm. Lançado em DVD (2010) no Brasil pela Lume Filmes :::
::: Um condenado à morte que escapou, Robert Bresson, 1956, França, p&b, 99 min., 35mm. Lançado em DVD (2010) no Brasil pela Lume Filmes :::
A banda inglesa pós-punk Joy Division (1976-80) debuta no programa So it goes (E assim vai), da TV Granada, de Manchester (Inglaterra), em setembro de 1978. Na época, o grupo ainda não tinha lançado o primeiro álbum Unknown pleasures. O apresentador Tony Wilson, que também era dono de gravadora, ficou tão impressionado com o desempenho que se tornou empresário da banda. Sua introdução entrou pra história do rock: “E assim vai é o programa que anteriormente já trouxe para você as primeiras aparições na TV de muitos grupos, dos Beatles aos Buzzcocks, mantendo vocês informados sobre os sons mais interessantes do Noroeste. O Joy Division é o novo som mais interessante dos últimos seis meses (…)” [um grande mérito em Manchester] Vale a pena também reparar Ian Curtis ensaiando timidamente a sua indefectível dança Mosca Agonizante.
Shadowplay (1979, Summer-Morris-Curtis-Hook, tradução livre do QdL):
To the centre of the city where all roads meet, waiting for you
Ao centro da cidade onde todas as ruas se encontram, esperando você
To the depths of the ocean where all hopes sank, searching for you
Ao profundo do oceano onde todas as esperas afundam, procurando você
I was moving through the silence without motion, waiting for you
No silêncio eu me movia sem me mover, esperando você
In a room without window in the corner, I found truth
No canto de uma sala sem janelas, encontrei a verdade
In the shadowplay, acting out your own death, knowing no more
Nas sombras, pondo a morte pra fora, sabendo mais nada
Seeing the assassins all grouped in four lines, dancing on the floor
Vendo os assassinos todos em quatro linhas, dançando no chão
And with cold steel, odour on their bodies made a move to connect
E com aço frio, o cheiro nos corpos moveu e juntou
But I could only stare in disbelief as the crowds all left
Mas descrente eu só podia contemplar: todos se foram
I did everything, everything I wanted to
Fiz de tudo, tudo que eu quis
I let them use you for their own ends
Eu deixei que usassem você como eles quisessem
To the centre of the city in the night, waiting for you
Ao centro da cidade nessa noite, esperando você
To the centre of the city in the night, waiting for you
Ao centro da cidade nessa noite, esperando você
No apagar das luzes do mandato, o presidente Lula se recusou a entregar Cesare Battisti a Silvio Berlusconi, negando o pedido de extradição feito pela Itália. Seguindo os termos do tratado entre os dois países, a decisão de Lula fundamentou-se na nítida conotação política do caso. Em outras palavras, entendeu o presidente que, se Battisti fosse extraditado, receberia do estado italiano um tratamento tendencioso, desproporcional, injusto.
Na decisão, a presidência ratificou o parecer técnico da Advocacia-Geral da União: “situações particulares ao indivíduo [Battisti] podem gerar riscos, a despeito do caráter democrático de ambos os Estados“. Lula também acolheu as opiniões de juristas do quilate de Dalmo Dallari, Bandeira de Mello, José Afonso, Nilo Batista e Paulo Bonavides, que assinaram juntos uma carta aberta. Outro manifesto pró-refúgio, por juristas baseados no Rio Janeiro, já havia sido publicado em outubro de 2009.
Nesse contexto de convulsão social, e tendo como objetivo a derrubada do regime, os PAC se envolveram diretamente em furtos de carros, armas e bancos, propaganda “subversiva” e quatro mortes: um policial, um agente penitenciário e dois partidários da extrema-direita, que haviam matado militantes do outro lado.
Entretanto, o Supremo Tribunal Federal, em duvidosa interpretação jurídica, cassou a decisão do MJ. E, em apertada votação, declarou que Battisti é passível de extradição, reservando a competência pela decisão ao chefe de estado brasileiro. Por sua vez, Lula, provavelmente não querendo abrir a guarda para a grande imprensa em ano eleitoral, decidiu somente no último dia do mandato.
Não é questão simplesmente de ser pró-Battisti. Em situação análoga à prisão (política!) de Julian Assange do Wikileaks, o caso não é ser pró-Battisti, mas anti-anti-Battisti.
A quem interessa a extradição?
Em suma, como é praxe: essa grande imprensa, — sobretudo as Organizações Globo e a Folha de São Paulo (esta chegou a forjar vítimas inexistentes), — procurou fazer do quadrado redondo, em mais um desserviço à democracia brasileira.
O fato é que, hoje, a década de 1970 está no núcleo das lutas pela memória brasileira e italiana.
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O leitor também pode interessar-se por outros ensaios do QdL:
Embriagar-se com água pura, 30/11/2010
Cidade dos minotauros, 7/07/2010
Sedutor lírico x sedutor épico, 20/11/2010
O absurdo: o tempo dos tempos, 20/07/2010
Veja também as resenhas de outros livros da mesma Coleção:
* Que aconteceu com o meu marxismo?, sobre Os Marxismos do Novo Século, de César Altamira
* O economista das revoluções pós-modernas, sobre O Lugar das Meias, de Christian Marazzi
* Amor e pós-capitalismo, sobre Commonwealth, de Antônio Negri e Michael Hardt
* Por uma esquerda pós-moderna, sobre MundoBraz, de Giuseppe Cocco
Crítica: Minha noite com ela (Ma nuit chez Maud), Éric Rohmer, França, 1969, pb, 35mm, 113 min.
Maud (Françoise Fabian) é uma mulher vibrante, inteligente, sensual, com brilho próprio, praticamente irresistível. É a evolução de Suzanne, do conto anterior, e se desdobrará ainda em duas mulheres sensacionais da série rohmeriana: Haydée (quarto conto) e Chloe (sexto). Divorciada, Maud se relaciona sem grandes compromissos com o professor de filosofia Vidal (Antoine Vitez), marxista e libertário. Este reencontra o amigo de longa data Jean-Louis, protagonista do filme e católico praticante como Éric Rohmer. A importância da religião na vida de Jean-Louis se faz mostrar com cenas de missas e sermões, por causa do Natal. Eis aí os vértices do triângulo amoroso.