jun 2010 19

Prosador líquido, ateu praticante, comunista convicto.
Uma das poucas leituras que agradeço ao ensino fundamental, cuja lista de livros obrigatórios é uma das maiores causas do semianalfabetismo do pais.
Doze anos, eu lia José de Alencar uma página, pulava cinco, lia outra. Rachel me deixava sonolento. Eça me fulminava de tédio. Patinava sobre as linhas de Lygia. Machado eu gostava pero no mucho. Descobria Augusto dos Anjos, começava um namoro com Hilda e Pessoa.
Memorial do Convento me pegou de jeito. Leitura fluida, virgulada, com fundo social e histórico, em camadas. Adorava a iconoclastia contra as falácias cristãs: O Evangelho segundo Jesus Cristo li com fervor religioso.
A descoberta do realismo mágico, em Memorial do Convento, me arrancou dos pulps: da ficção científica, do romance de crime, do ciberpunk.
O vôo da Passarola, a máquina alquímica do padre-cientista, produziu a minha primeira embriaguez literária. Porque ela voa! lança-se sobre o firmamento do sonho e do desejo. Fui tomado de assalto, absorvido, forçado a virar a página até a última.
Li outros livros dele, mas poucos anos depois troquei-o por Rosa, Clarice, Cortázar e literatura russa. Foi eterno enquanto durou. Valeu, Saramago.

  • Lucas

    O vôo da Passarola é realmente bacana, mas a jornada do pobre José numa terra onde ninguém além da sua obsessão tinha nome.

    Pelo menos o velho morreu com oitenta e porrada. Deu tempop de deixar uma obra bacana.

    Um abraço

  • rayssa gon

    o blog dele era legal tambem. mas o evangelho é demais.

    :(