Publicado em 13 de dezembro de 2011
Não é hora de sair do Facebook

 

Houve época em que a blogosfera era um território bárbaro. Na década de 90, começando com os BBS (Bulletin Board System), as newsletters (principalmente do UOL) e os chats do mIrc, tudo era novo. Vigia uma liberdade radical. As pessoas se encontravam e no caos debatiam, brigavam, se abraçavam e se amavam. O acesso, ainda limitado às subculturas geek e hacker, começava a ampliar para a classe média. Tempos em que as redes sociais participavam de um processo contracivilizatório, — embora minúsculo, quase guetificado. Como tudo de bom na vida, éramos felizes e não sabíamos.

Então veio o bum da new economy e tudo mudou. Como acontece com qualquer força produtiva, as redes foram tomadas de assalto. Mercantilizadas, formatadas, uma avalanche de publicidade. A Nasdaq bombou com o mercado dotcom. Os hackers passaram a prestar consultoria de segurança. Os geeks se converteram em yuppies na crista do sistema. Até a bolha estourar, cada ex-geek talentoso sonhava em ser milionário. E alguns conseguiram. Grandes pequenas empresas pipocaram overnight para privatizar as redes, gerir marcas e capitalizar nas finanças. Perceberam o manancial de produtividade circulante e precipitaram os seus tentáculos e ventosas.

Nos anos 2000, o número de pessoas enredadas multiplicou muitas vezes. As redes se ramificaram, se enraizaram na economia política, se miscigenaram: rede de redes. Muito mais do que ferramenta ou meio instrumental, a rede é ela própria um espaço social construtivo, um conjunto de relações sociais que organiza, articula, comunica, potencializa e enriquece a vida. Constitui-se um campo comum na confluência de culturas, éticas, políticas e socialidades, uma cauda longa multifacetada e atravessada das forças vivas. A internet não é mais um mundo, é a própria mundivivência na sua modulação mais intensiva. As redes se tornaram o terreno por excelência das articulações produtivas, da antropogênese: a criação do homem pelo homem. Logo, das tentativas de expropriar o trabalho social e a potência de vida que todos (se) investem nessa realidade tão real.

Com o mínimo de estrutura, geralmente um petit comité de gestores, advogados e publicitários, se erigiu o paraíso para capitalistas 2.0, como Bill Gates e Steve Jobs. Externalizam as internalidades negativas/onerosas e internalizam as externalidades positivas/gratuitas. Gerenciam o lado de fora, que está dentro. Exploram os fluxos criativos, difusos, capilares, amiúde anônimos, multitudinários. Mestres do copyright, outsourcing, marketing, brand management, networking, crowdsourcing e quejandos. Nasceu a economia criativa, a indústria do copyright, — a vampirização da produção social por empresas, marcas e governos.

Chegou-se então à era de Mark Zuckerberg, o homem do ano. As redes sociais estão inteiramente colonizadas. Outro ser humano vive, com outra percepção socioambiental [ambiental awareness], outro modo de sentir e relacionar-se. Agora, não há mais fora ao processo de capitalização das relações sociais. Não dá mais para sair. Fazem o Facebook ser o Facebook as 800 milhões de pessoas pelo mundo, e contando. Dessas, 400 milhões o utilizam todos os dias sem falta. 350 milhões pelo celular ou ipad que carregam consigo o tempo todo. 250 milhões de fotos são subidas diariamente. A partir do Facebook, a atividade de cada um é organizada e integrada, num gigantesco ecossistema.

Todo o valor do Facebook nasce do tempo de vida, da atenção e das relações investidas por esse quase um bilhão de pessoas. Se não houvesse ninguém conectado, por melhor que fosse o algoritmo, o Facebook não valeria nada. Mas quanto desse imenso valor retorna? Onde está a remuneração pela nossa construção do Facebook? E quanto é capturado como mais-valor para forjar dezenas de milionários e o bilionário Zuckerberg?

Do Descurvo: “A Internet, aliás, nunca esteve tão ‘social’ quanto agora. As redes sociais engoliram a velha rede baseada na navegação livre e anônima, nos prendendo a uma territorialidade, que é o nosso próprio ‘perfil real’, isto é, à nossa identidade fora da rede, o que traz junto, por tabela, chefes, contatos, amigos, colegas de trabalho e escola/faculdade, além dos parentes – é a partir desse perfil que as pessoas passam a navegar, compartilhando links e fotos (suas vidas..), de tal modo que a navegação torna-se ancorada e identificada por definição.” (toda a postagem vale muito a leitura).

Hugo Albuquerque não está contestando o realismo das redes de redes, o fato de elas trocarem energia com o que de mais real existe: a dor, a resistência, a ternura, a loucura. Não defende o aspecto lúdico, como se as redes transcendessem a vida, noutro plano de existência. Não é isso. Refere-se, na verdade, ao processo de codificação e disciplinamento que sofremos. Esse o social entre aspas, como na expressão fazer uma “social”. Gentrificaram a internet. Mais do que outros mecanismos, o Facebook vem conseguindo sedimentar a identidade de cada um. E assim participa de um ritual que busca converter bárbaros em usuários comportados, hackers em criminosos sexuais e revolucionários em blogosfera progressista. E tenta assumir o controle sobre a intensificada antropogênese, a autoprodução de sujeitos e formas de vida, que as redes fermentam. A gênese social é mais uma vez capturada pelas instituições clássicas de expropriação: a empresa, o estado, a família.

A empresa ao ocupar o território cognitivo de cada um e o próprio cada um como processo e produto da cognição. Não apenas assaltar o campo visual e auditivo e semiótico pela publicidade, mas dirigir a atenção, formatar estéticas, homogeneizar mundos e vendê-los como estilos de vida. O tempo de vida é milimetricamente colonizado, até o nível subliminar do subconsciente, dos impulsos e sonhos.

O estado ao garantir o espaço social em que as empresas atuam e lucram, na velha dialética do público e do privado. Integrado globalmente, o estado controla as redes para assegurar o copyright, o direito autoral, a identificação individual, a propriedade sobre o trabalho social (crowdsourcing) e a financeirização dos lucros (rentismo). Movimentos contestatórios — wikileaks, anonymous, cultura livre, novas mídias antijornalísticas — passam a ser sistematicamente desacreditados e criminalizados. Em tempos de redes sociais, nenhum estado precisa mais interrogar/torturar os cidadãos: basta extrair seus dados da internet.

A família ao enquadrar a pessoa nas múltiplas normatividades de convívio social e consumo, servindo como polícia próxima nas várias dimensões: moral, ideológica, sexual, cosmética e estética.

Apesar disso tudo, o antagonismo persiste, dentro e contra. É preciso resistir e é preciso ocupar.

Não é hora para saudosismos. A luta central está em imergir na ecologia das redes sociais e, do interior, transbordar dos aparelhos de captura e expropriação. Daí que, talvez, a melhor tática não seja sair do Facebook para a N-1 ou Anillosur, numa nostalgia de bom selvagem, mas ocupar maciçamente e democratizar o próprio Facebook. É preciso assumir o tempo que se vive no conjunto de seus paradoxos, contradições e perplexidades. Ao capitalismo cognitivo, corresponde um movimento social em enxame, que aparece no software livre, na cultura digital, na blogosfera não-progressista, em diversos grupos e coletivos altamente politizados e produtivos, que cooperam e convivem fora da lógica da captura. São as múltiplas corrosões e resistências por dentro do império, os índios da metrópole que já estão dentro. Eles sabem que não é possível voltar atrás, então resolvem ir ainda mais fundo na sua guerra antropofágica contra a civilização.

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  • http://pulse.yahoo.com/_K2TLRZBW3HUVDZCYYDBW4LEF4Y jonas c

    Pois aí vai o pitaco: a internet é gerida por … empresas! Ainda que você tenha a liberdade de criar um blog e de postar o que quiser, dentro do limite da razoabilidade (ou seja: sem ofender, caluniar, discriminar, etc.), ainda assim depende da tecnologia em amplo grau. Todos os equipamentos que possibilitam a comunicação cibernética são fabricados por elas, com seus interesses bem definidos e seu espaço-tempo milimetricamente colonizado. Os provedores de acesso, e-mail e as plataformas nas quais os blogs estão fundados, idem. Delimitar algumas normas para que pessoas não usem a internet de maneira criminosa (falo de crime mesmo, não é sentido figurado), ainda que possa despertar suspeitas e inquietações, pode ser uma necessidade. Casos recentes de manifestações discriminatórias ofensivas contra nordestinos e outros grupos confirma isso. Hoje se pode criar um perfil falso e, acessando uma rede social  em um computador público (lan-house, por exemplo) agredir quem quer que seja, ou roubar dados de qualquer pessoa. Esse ponto nunca é discutido por quem critica alguma tentativa de impor normas e controles ao uso da internet. Controlar conteúdo ou supervisioná-lo, como forma de censura prévia, é outra coisa. Nossa CF garante a liberdade de expressão, vedado o anonimato.  

    • Bruno Cava

      Mestre Jonas,

      É possível agredir verbalmente alguém pela internet da mesma forma que eu posso sair na rua e fazer a mesma coisa, ou melhor, posso fazer muito mais na rua: agredir fisicamente, estuprar, matar. A internet por sinal é inepta para o crime sexual, inclusive a pedofilia. Nunca houve pedofilia pela internet.

      Esse discurso de vigilância se assemelha muito à idéia de pôr câmeras em todas as ruas, praças, meios de transporte, repartições públicas, elevadores… alguém pode cometer um crime né? Sem falar no terrorismo. Afinal, o cidadão de bem que não comete crimes não têm nada o que temer, só os bandidos. Daí pra um estado de vigilância generalizada é uma questão de tempo.

      Abraço.

      • http://pulse.yahoo.com/_K2TLRZBW3HUVDZCYYDBW4LEF4Y jonas c

        Bruno, acho que te escapou o ponto central da minha fala: você pode, pela internet, agredir ou furtar dados de maneira incógnita, sem que possa ser responsabilizado. O controle necessário de que falo é o de poder identificar quem utilizou a rede em determinado momento, não como um instrumento para policiar a sociedade de maneira absoluta, mas como forma de garantir a responsabilização por delitos. Se você tem uma linha telefônica, tem que ter registro de propriedade, um carro idem, por que não um computador ligado a uma rede? Os dados do usuário não ficariam em mãos de autoridades, mas poderiam ser solicitados por um juiz no caso de infrações sérias. Fora isso, sou contra chat mediado, vigílância institucional direta, etc.

        • Renato

          Ops, não tinha lido esse comentário… Dados que poderiam ser solicitados por um juiz não é nem cilada, é certeza que daria zebra. Inclusive a intenet será melhor quando for mais livre… Quando usuários padrão tiverem certeza que podem navegar livremente.

        • Bruno Cava

          Jonas, o grande problema é quem maneja a noção de crime, quem comanda o sistema policial-penal, e qual o papel do poder punitivo na sociedade. Uma das grandes potencialidades da rede está em facilitar redes autônomas, colaborativas, de resistência e produção livre. Isso na maioria das vezes incomoda quem detém o monopólio sobre a produtividade, através de direito de cópia, direitos autorais, patentes, direito de imagem, e também regimes mais policialescos, seja nos países árabes, seja nos EUA “patrióticos”. A possibilidade de uma mobilização pela internet ser rapidamente configurada como tumulto e desordem, seguida da vigilância e criminalização dos ativistas, nem é mais uma possibilidade — é real. Não dá pra apoiar isso, com o pretexto que for. Democracia que é democracia não pode partir de premissas antropológicas negativas, à Hobbes ou à Bush.

    • Renato

      Exemplo, Jonas: um homem honrado pode ter sua moral ferida injustamente por alguma ofensa inconsequente feita pela internet… E continuará sendo honrado. E se além de ter honra esse homem é libertário… Provavelmente considera qualquer injúria um preço baixo pela liberdade de expressão e livre informação.

  • http://twitter.com/ultimobaile Lucas Jerzy Portela

    curiosamente, o Orkut, que começou tudo isso, agora volta a presta do lugar de dejeto: virou tão lixo classe C ascendente que volta a ser útil para a pegationtion & putarias em geral.

    Porque a internet era boa mesmo quando ela servia primeiro para pornografia (no sentido em que Yves Lacoste dizia que geografia serve é pra fazer guerra). 

    • Bruno Cava

      Concordo. O orkut assumiu a proposta do nosso cinema marginal para as redes sociais.

  • http://www.descurvo.blogspot.com Hugo Albuquerque

    Exato, Bruno. Há um ano atrás, quando eu discutia n’O Descurvo a questão da blogosfera progressista – ou melhor, sua hecatombe -, eu falava em nesse corte histórico operado na Rede pela sua massificação – as novas plataformas, a expansão (sobretudo no Brasil dos anos Lula), mas como junto disso também veio uma nova (bio)política…Embora só tenha delineado a questão neste último post, citado pelo mestre.

    Hoje, mais do que nunca, é preciso um certo partisanismo pela Rede – sobretudo, pelas redes sociais -, o que passa desde a cultura Hacker até o uso tático desta blogosfera e do Facebook – ainda que o segundo em um aspecto mais operacional, e momentâneo, mesmo, pois é possível construir uma blogosfera imanentista e resistente, mas não sei se é possível fazer o mesmo com o Face…Sobre a questão do vigilantismo, bem você pode cometer crimes por meio de um telefone, nem por isso eu sou favorável que haja um grampo geral nas linhas com vistas à segurança

    abraços

    • Bruno Cava

      Mestre, acho que estamos num novo momento da blogosfera em língua portuguesa, depois da barbárie e da colonização progressista. Essa segunda natureza que se construiu à margem dos formatos jornalísticos ainda precisa ser articulada em movimentos mais consistentes. Talvez haja espaço para recomposições e alianças táticas, embora nesse norte eu tenha participado de uma iniciativa natimorta bem recentemente. Abração.

  • Luis Henrique F. C. de Mello

    Uma bela reflexão, porém olvida o pequeno – mas importante – papel que o software livre exerce nesse meio durante as últimas duas décadas. O modo-de-produção software-livreano permite que qualquer um programe, debugue, empacote, documente ou faça arte pelo prazer de fazê-lo e de ver seu produto utilizado por outras pessoas. É marginal, mas completamente antagônico ao modo-de-produção capitalista. Há gente fazendo dinheiro com isso? Sim, Mark Shuttleworth (fundador do Ubuntu) é um exemplo. Mas há milhares e milhares de grandes e pequenos projetos dentro do mundo do software livre cuja lógica é diametralmente oposta à capitalista. O Linux é o EZLN da computação. E digo: se conseguirmos extrair esta lógica do mundo não-palpável para o mundo palpável, o capitalismo desaba.

    • Bruno Cava

      Falei de passagem do software livre, Luis Henrique, e subscrevo tudo isso que você colocou. Se o capitalismo agora é 2.0, não podemos ser ingênuos de ficar repetindo formatos 1.0, nos moldes de antigos sindicatos e partidos vermelhos. Precisamos também adentrar o 2.0 e disputar tudo, construir nossos próprios espaços e tempos produtivos, nossa própria alternativa de sociedade, dentro e contra, constituir o nosso comum contra o capitalismo cognitivo. É a militância em enxame, que abordei noutros textos (procurar pela tag ‘enxame’).

  • Clécio Lemos

    Demais. Realmente, é preciso tomar todos os espaços. Occupy facebook, tô dentro. Vamos transpassando, explodindo por dentro e por fora.

  • Renato

    Bruno, Espero que já tenha se acostumado com meu hábito de discordar, portanto, apesar de considerar o artigo uma exepcional resenha dos principais momentos da revolução da comunicação (a qual é ainda maior do que foi sua antecessora – a industrial -, tendo em vista que seus desdobramentos podem significar uma mudança de paradigma em escala mundial quase que instantaneamente; digo podem, pois o futuro próximo nunca foi tão imprevisível – se é que profecias são possíveis -, apesar de ter motivos para muito otimismo), talvez o poder da comunicação ainda é subestimado como se não fosse a reconstrução da Torre de Babel com todo o seu significado… Homens querendo chegar aos deuses construiram uma Torre a qual foi destruída, depois os homens foram dispersados cada um com um idioma diferente – tentativa de explicação da origem das línguas; e agora a humanidade reinicia a conversa, entendendo-se, seja através de protocolos ou códigos, idiomas hegemônicos ou imagens e sons… Só não vale tentar construir Torre para chegar a deus… Enfim, talvez tenha superestimado o valor do FB. Considero blogs como o seu muito mais valiosos do que todo FB – arena do que há de mais superficial no ego. Então, em vez de ocupar mais o facebook, dedique mais tempo ao seu blog e incentive novos. Aproveito para lembrar do projeto GNU, pai do Linux, quando fala-se sobre OpenSource. E sobre ofensas pela internet… É melhor que continuem quase inócuas do que termos uma internet censurada ou monitorada, o que significaria um desastre para a livre informação – direito básico.

    • Bruno Cava

      Mestre Renato, habemus dissenso e isso é bom! Também tenho um caminhão de críticas e desconfortos com o Facebook. É um espaço privado, um novo cercamento (new enclosures) das terras comuns da internet. Você não consegue achar o conteúdo do Facebook pelos mecanismos de busca, pelo google por exemplo. E ao subir fotos e textos, você cede parte dos direitos à empresa. E também atua como máquina de identificação maciça dos usuários, tanto para vender os dados a empresas privadas (data mining), quanto para estados policialescos. Isso tudo é verdade, eu não subestimo o lado de captura, essa estrutura vampiresca que é a própria efígie do capitalismo cognitivo. Mas, ainda assim, é um espaço que dá pra tentar subverter, que dá pra tentar se agenciar e produzir apesar de todos esses tentáculos. Mesmo contra o próprio Facebook. É um jogo de gato e rato. Você veja, o paradoxo do capitalismo hoje é que ele precisa conferir liberdade e conhecimento às pessoas, precisa investi-las na qualidade de produtores de mundos. Os próprios cérebros hoje são meios de produção, na medida em que o valor está nos processos cognitivos, na cultura, conhecimento, afeto, relações, antropogênese. Eu acredito que é preciso lutar por dentro e contra, sem acreditar em purismos. O blogue, mesmo feito no software livre, pelo wordpress, também está investido indiretamente pelas ‘clusterizações’ operadas pelo google, pelos grandes roteadores de conteúdo. Mas sem dúvida, entre o QdL e meu perfil no Facebook, você tem toda a razão, este vale mais a pena. Abraço!

  • Pingback: Gentrificaram a internet | Quadrado dos Loucos – Prosa, crítica … : Link Mundial

  • Mauricio

    Facebook ao meu ver, é a ferramenta de alienação, propaganda
    e narcotização perfeita. Deixo de lado a parte da propaganda, pois é notório o
    uso abusivo da mesma no site. Agora, não dá pra ficar calado e também não
    deixar de pensar como funciona esse site de relacionamento, que mais parece uma
    gigante bolha virtual, onde as pessoas se encontram ( mentalmente ) e
    disseminam seus pensamentos e idéias. Até aqui, as pessoas fazem sua parte como
    vocês devem conhecer. Mas, a engenhosidade do site chega a ser assustadora.
    Eles criaram uma ferramenta que mexe com a intrínseca necessidade humana em querer
    se comunicar, em se fazer ouvir por palavras escritas, fotos ou videos. A
    liberdade é tamanha, que, muitas pessoas acabam se entregando de corpo e alma e
    inocentemente se fundem a idéia máxima que o facebook carrega : Uma rede de
    contatos totalmente gratuita interligada nacionalmente e internacionalmente. Isso
    já gera no indivíduo uma certa segurança, satisfação e uma liberdade imensa. Sendo
    que essa liberdade não existe de fato, pois é totalmente controlada e vigiada.

    Eu sou usuário do facebook e o trato justamente como um
    grande laboratório, que mesmo procurando formular idéias, sem generalizar ( lógico
    !), tento de todas as formas não deixar-me entorpecer e a não levar aquilo como
    válvula de escape. O contato virtual é importante, mas não é um fator
    predominante para nossa comunicação e interação.